Muitos insistem em dizer que qualquer um pode dominar a arte de fumar um cachimbo. A realidade é um pouco diferente. Fumar cachimbo é um estado de espírito.
Uma boa cachimbada é fonte de conforto, de inspiração, e o cachimbo é, sem dúvida, um grande amigo e companheiro.
Além da prática, para que alguém se torne um autêntico cachimbeiro, é preciso algo mais do que aspirar e soltar uma fumaça aromática. O estado de espírito é fundamental.
Fumar cachimbo é muitas vezes visto como algo elegante e sofisticado, o que leva muita gente a querer fazê-lo. Poucos, porém, sabem o bastante a respeito dessa arte.
Fumar cachimbo é adotar um ritual ocioso de descontração e prazer, que requer atenção, destreza e conhecimento.
Talvez seja esta a razão que leva a maioria das pessoas a associar o cachimbo com nobreza, sofisticação e intelectualidade. O cachimbo partilha algumas similaridades com o charuto e os cigarros, mas é muito diferente.
Um cachimbo é mais difícil de fumar, pois demanda mais que uma boca e um fósforo. É necessário dominar artifícios como encher o fornilho, acender eficazmente o tabaco e controlar o ritmo para mantê-lo aceso e apreciar o sabor dos tabacos.
O psiquiatra Antônio Carlos Garcia dizia, talvez com razão, que o ato de fumar cachimbo não passava de um autoendeusamento. Pode ser. Mas muitos atos ligados à solidão voluntária também carregam essa dimensão de introspecção.
A peça principal
Deixando de lado as filosofadas, excelentes para uma conversa ao redor de uma mesa com bons cachimbos, a peça principal é o cachimbo. Sem ele, não há cachimbada.
Existem modelos básicos de cachimbos, com variações incontáveis. Eles podem ser retos, curvos ou semicurvos. Quando há curva, usa-se a palavra bent; quando a curva é acentuada, fala-se em full bent.
Cada cachimbeiro acaba por ter seu cachimbo predileto, embora isso não signifique que seja o mais fumado. Um autêntico cachimbeiro jamais fuma o mesmo cachimbo duas vezes em um mesmo dia.
Essa prática implica possuir mais de uma peça, de preferência com diferentes formas, pesos e usos, para preservar o material e permitir que cada cachimbo descanse entre uma fumada e outra.
Publicação preservada do arquivo editorial de Ryoki Inoue, agora em página permanente, com leitura mais clara e acesso direto às demais páginas do acervo.
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