Considerado o único nikkei, sansei, que figura no Guinness na área cultural, Ryoki Inoue é um exemplo vivo da miscigenação brasileira.
Autor de Saga: a história de quatro gerações de uma família japonesa no Brasil, encomendado pela Editora Globo, Ryoki foi destaque no contexto do Centenário da Imigração Japonesa.
Roupas do século passado
Meu avô paterno, Harema Inoue, era militar, frequentava a Academia da Marinha e chegou a ser contemporâneo do Almirante Isoroku Yamamoto, que criou os planos de ataque a Pearl Harbor.
Os pais dele eram proprietários rurais da província de Kochi. A família de minha avó, Kanetiyo Kira, era de samurais. A transição para a era Meiji fez com que a agricultura sofresse muito, e meu avô precisou abandonar a Academia para ajudar na terra.
Meus avós vieram para o Brasil na segunda leva, em 1912. A viagem foi difícil. Quando chegaram a Santos, foram obrigados a vestir roupas ocidentais, usadas e antigas, compradas por gente ligada à imigração.
A história da chegada e da adaptação deles aos costumes brasileiros está detalhada em Saga, romance histórico escrito para a Editora Globo.
História da família
Meus avós viveram no noroeste do Paraná, depois em Cerqueira César e Cotia. Meu pai, Carlos Ryoma Inoue, formou-se médico; meu tio Gervásio Tadashi Inoue foi advogado e presidiu por longo período a Cooperativa Agrícola de Cotia.
Meus pais, Carlos Ryoma Inoue e La Salette Alpoim Inoue, conheceram-se em Campos do Jordão. Ele era médico dos sanatórios; ela lecionava francês e português.
Nasci em 1946, no pós-guerra imediato. Minha infância foi marcada por lembranças de fazenda, interior, campo e deslocamentos entre cidades paulistas, paranaenses e capixabas.
Brasil, Japão, França e Portugal
Minha mãe era portuguesa, advogada e professora de filosofia, grego e latim. Comecei a me interessar pela cultura japonesa ainda no ginásio, embora os costumes nipônicos não fossem tão inculcados em minha infância.
Uma parte importante da minha formação veio do judô e do caratê, praticados desde os sete anos até alguns anos depois da Faculdade de Medicina.
Escrevi para dekasseguis brasileiros e criei Mário Kiyoshi Nogaki, uma espécie de James Bond mestiço. Quatro títulos sobre esse personagem foram levados ao Japão e venderam cem mil exemplares.
A cultura japonesa orientou minha paciência, perseverança e força de caráter. Para o futuro, o objetivo é lançar minha biografia e, se a saúde permitir, dar continuidade a séries de novelas menores para revitalizar o livro de bolso no Brasil e ampliar a leitura digital.
Publicação preservada do arquivo editorial de Ryoki Inoue, agora em página permanente, com leitura mais clara e acesso direto às demais páginas do acervo.
Ver publicações recentes