20 de Julho, Dia do Amigo
Um dia, um discípulo perguntou a Budha: “Mestre, o que é a Amizade?” Budha sorriu docemente e respondeu: “Nada mais do que uma bengala forte e segura”.
O discípulo, depois de muitas semanas de meditação, voltou à presença do Mestre e indagou: “Como se pode comparar a Amizade com uma simples bengala? Com um pedaço de pau?”
Budha levou o discípulo até a margem de um rio e mostrou-lhe a neblina baixa que impedia de enxergar o outro lado.
“Imagine que você tem de atravessar este rio e que a neblina não lhe permite ver além de uns poucos passos à sua frente. A trilha de pedras, que é o único caminho para o outro lado, é formada por rochas lisas, redondas e parcialmente cobertas pela água. É uma trilha muito perigosa. Uma queda, um escorregão, e não haverá como se salvar. O que você faz?”
Novamente o discípulo se recolheu para meditar sobre as palavras de seu Mestre e, depois de outras tantas semanas, voltou para dizer: “Eu faria uso de uma bengala, meu Mestre. Seria esse o sentido da Amizade?”
E Budha respondeu: “Sim. É esse o sentido da Amizade. Uma bengala, um apoio que será o seu auxílio para atravessar o Rio da Vida sem ter receio de escorregar em cada uma de suas etapas.”
A amizade, como a bengala, precisa ser firme, segura e bem cuidada. Ela sustenta quando as próprias pernas parecem insuficientes.
O discípulo concluiu que, se todos se apoiassem mutuamente, ninguém cairia nas águas do Rio da Vida.
Budha não respondeu. Limitou-se a olhar para a frente, os olhos perdidos no infinito de suas meditações. Talvez estivesse lamentando o fato de saber que isso jamais viria a acontecer.
Do texto “Considerações sobre a Amizade”.
Publicação preservada do arquivo editorial de Ryoki Inoue, agora em página permanente, com leitura mais clara e acesso direto às demais páginas do acervo.
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